Em discurso na Assembleia Mundial da Saúde, Ministra Nísia Trindade aborda equidade e cultura de paz

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A Ministra da Saúde, Nísia Trindade, proferiu um discurso na plenária da 76ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS) nesta segunda-feira (22) em Genebra, Suíça. A AMS é o órgão decisório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e reúne os países-membros para delinear as políticas da Organização para os próximos doze meses. O tema escolhido para este ano é “OMS aos 75: salvando vidas, levando saúde para todos”.

Durante seu discurso, a Ministra enfatizou a retomada da agenda brasileira em prol da equidade em saúde, da cultura de paz e do multilateralismo. Ela dirigiu-se ao Senhor Tedros Adhanon, Diretor-Geral da OMS, e ao Presidente da Assembleia, além de colegas e demais autoridades presentes.

Acompanhe o discurso completo abaixo:

Excelentíssimo Senhor Tedros Adhanon, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde,

Excelentíssimo Senhor Presidente desta Assembleia,

Caros colegas, amigos, Senhoras Ministras, Ministros,

Fonte: Saude

É uma imensa honra ter a oportunidade de estar neste púlpito para representar o Brasil e celebrar o 75º aniversário da OMS. Gostaria também de transmitir as saudações do Presidente do Brasil, Presidente Lula, que parabeniza a Organização por sua história e liderança durante o tempo da pandemia.

A grande força da Organização reside em sua capacidade de enfrentar os desafios contemporâneos e antecipar os desafios futuros. Neste momento, é crucial que aprendamos as lições de uma pandemia que resultou em 6 milhões de mortes em todo o mundo, sendo mais de 700 mil no Brasil, e teve um impacto significativo nos sistemas de saúde, na saúde mental, na economia e na coesão social. Precisamos fortalecer nossos sistemas nacionais de saúde para estarem preparados para futuras emergências e para responder aos problemas subjacentes que foram expostos durante esta pandemia.

Quero enfatizar que o Brasil está de volta, o que significa o retorno de nossa agenda em defesa da equidade em saúde, da cultura de paz e do multilateralismo, que são fundamentais neste momento. Precisaremos enfrentar os desafios da mudança climática e seus impactos na saúde. Devemos lembrar que mais da metade do tempo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) já passou, e, apesar de alguns avanços, como os mencionados pelo Dr. Tedros hoje, muitas partes do mundo estão em situação pior do que antes da Covid-19.

Fonte: Lixiki

Neste momento, é crucial fortalecer substancialmente os sistemas de vigilância e saúde como um todo. Precisamos de mais inovação, transferência de tecnologia e financiamento direcionados a sistemas de saúde mais equitativos. Com o avanço da inteligência artificial e da saúde digital, é essencial que essas ferramentas sejam acessíveis e orientadas por princípios éticos. Devemos descentralizar a produção de medicamentos, vacinas e insumos estratégicos, garantindo um acesso equitativo em todo o mundo. Trabalhar para reduzir as desigualdades, incluindo a desigualdade no acesso aos benefícios do conhecimento científico e tecnológico, pois a desigualdade prejudica a saúde.

Isso exigirá um multilateralismo revitalizado. Não alcançaremos esses objetivos sem uma reforma da arquitetura global da saúde, tornando-a mais ágil e coesa, com a OMS no centro desse processo e reduzindo as desigualdades entre países e regiões. Devemos democratizar o sistema internacional de saúde, para que as vozes dos Estados e de suas populações, especialmente as negligenciadas, possam ser ouvidas. O sucesso na conclusão do instrumento sobre pandemias e a reforma do Regulamento Sanitário Internacional são elementos cruciais neste momento.

Isso implica ampliar nossa agenda: reduzir desigualdades e promover a equidade, avançar na igualdade de gênero na saúde, buscar a universalização do acesso à saúde para as populações afrodescendentes e desenvolver sistemas de saúde que respeitem as especificidades dos povos indígenas. Desde já, agradeço o apoio recebido ao projeto brasileiro de resolução, pioneiro ao reconhecer a saúde dos povos indígenas como tema de interesse da OMS.