A desbolsonarização da conjuntura: um novo espetáculo na política

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A desbolsonarização da conjuntura política: um novo espetáculo em cena

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de banir Bolsonaro das urnas até 2030 deu início a um novo espetáculo político: a reinvenção da direita. Quando bem conduzida, essa reinvenção pode levar à desbolsonarização do cenário político. No entanto, se mal executada, pode resultar em desastre. A influência política de um Bolsonaro inelegível tende a diminuir à medida que o conservadorismo não troglodita se mostra capaz de articular alternativas civilizadas.

A pretensão do ex-presidente de se qualificar como um “cabo eleitoral de luxo” dependerá também do desempenho de Lula. No entanto, paira uma dúvida sobre como chegar ao centro dessa disputa política. Com a decisão do TSE, que confirmou a inelegibilidade de Bolsonaro, a aberração política já havia sido colocada em segundo plano pelas urnas nas eleições de 2022. Na prática, a Justiça Eleitoral apenas renovou o convite para que o conservadorismo nacional entre em um processo de descompressão.

A descontaminação desse cenário político não será um processo simples, pois Bolsonaro agora se apresenta como vítima. Além do desafio da desintoxicação, a direita precisará reverter sua imagem. Uma simples harmonização facial não será suficiente para resolver o problema. Será necessário um verdadeiro processo de cirurgia plástica. O apoio a Bolsonaro criou uma monstruosidade que dá à direita uma aparência assustadora. Em uma comparação, o conservadorismo arcaico se assemelha à criatura do livro de 1818, feita com partes de cadáveres de camponeses, representando o entulho humano do mundo feudal que estava chegando ao fim no século XIX.

Fonte: O POVO

O desafio da desintoxicação política: compreendendo os diversos espectros

A recente postura de Michelle e a hesitação de Tarcísio revelam algo importante: além de analisar os nomes envolvidos, será inevitável discutir o método de desintoxicação política. Bolsonaro deixou não apenas herdeiros, mas também órfãos. Aqueles que estiveram envolvidos no episódio de 8 de janeiro estão agora presos ou aguardando uma sentença com tornozeleiras eletrônicas. Aqueles que conseguiram escapar do flagrante procuram um refúgio em algum canto da Terra plana para onde possam saltar.

Fonte: Metrópoles

Diante desse cenário, abre-se a perspectiva de recuperação para aqueles que já perceberam que o mundo continua a girar e a fila continua a andar. Em 2018, eles ajudaram a carregar o andor do falso Messias: antipetistas, lavajatistas, militaristas, ruralistas, evangelistas, machistas, racistas, globalistas e criminosos. A inelegibilidade do mito não fez com que esses votos desaparecessem do mapa eleitoral. Para lidar com essa legião de “istas” e seus estigmas, é necessário compreendê-los.

A compreensão ilumina a conjuntura cinzenta, destacando nuances e tonalidades. Com machistas e racistas, não há espaço para conversa. Para os globalistas, é necessário impor limites. Quanto aos criminosos, é preciso punição severa. No entanto, em relação aos demais grupos, cabe às lideranças políticas aprimorar seu olhar e discurso. Existem antipetistas que não aderiram à antipolítica. Há lavajatistas que abominam tanto a restauração da imoralidade quanto os danos causados por ex-Moro à causa anticorrupção.